|
Incentivos governamentais à geração de energia por fontes alternativas garante rentabilidade dos projetos e ganhos às companhias 17 de junho de 2010 Menos de 10% da matriz energética brasileira provêm de fontes consideradas alternativas. Os investimentos talvez não cheguem a 2,5% do montante que fazem as maiores empresas. No entanto, elas ganham cada vez mais atenção, não só das companhias e dos investidores, mas principalmente do Governo. A aposta do setor público fica evidente no novo Plano Decenal de Expansão de Energia do ano passado. Ele prioriza fontes renováveis de geração de energia elétrica (como hidrelétrica, biomassa e eólica). Desde 2006 o governo libera recursos pelo Proinfa (programa de incentivos a fontes alternativas gerenciado pela Eletrobrás e criado em 2002), e cada vez com maior frequência realiza leilões para viabilizar esse planejamento. O Plano Decenal projeta elevar a oferta de energia através da expansão da geração por meio de fontes alternativas entre 2010 e 2019 em 14.655 MW. A geração total da matriz brasileira atualmente é de 117.413.711,000 MW, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Do montante total a ser expandido, 36% será de eólica, 27% de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e 37% de Biomassa. A produção de energia a partir de fonte eólica é uma das mais incentivadas e com maior potencial de crescimento, segundo analistas. No mês de agosto, será realizado o segundo leilão, que tentará assegurar a venda de 1.569 MW médio, ou seja, 90% da quantidade de energia da Usina de Itaipú. Estão cadastrados por volta de 400 projetos. Até agora, essa fonte é responsável por apenas 0,68% da matriz total do Brasil. Isso significa 794.334,000 MW de capacidade gerada em 45 usinas do total de 117.413.711,000 MW em 369 unidades que compõem toda a matriz nacional. Além delas, duas estão em construção. O Proinfa prevê investir em 52 novas usinas, que devem acrescentar 1.422,92 MW. Até o mês de abril, os valores já foram liberados para 33 usinas, sete neste ano. Outras 21 devem receber os aportes do programa ainda em 2010. O alto custo dos empreendimentos, especialmente pela falta de fabricantes nacionais, é um dos desafios, segundo o analista da Fundamenta Administração de Recursos, André Trein. Por isso, o preço também é mais alto, cerca de R$150MW/h (o da energia elétrica não tem atingido os R$120MW/h. No entanto, o custo não inviabiliza uma rentabilidade satisfatória na opinião de Trein e também da analista da SLW Corretora, Rosangela Ribeiro. Segundo eles, as linhas de financiamento para o desenvolvimento dos projetos e, especialmente, para os equipamentos, considerados mais caros, já existem. São eles, ainda a maior parte de fontes públicas, que viabilizam os investimentos das companhias, cada vez mais presentes nos capex divulgados ao mercado. Outro ponto a favor, principalmente, da geração eólica é o fator de capacidade de 30% do Brasil e de até 40% na região Nordeste – superior ao da Europa, por exemplo. O último Atlas de Energia Eólica feito no Brasil apontou uma potência para gerar 140GW (140.000 MW) através dessas fontes. Isso é superior aos 110GW de capacidade de geração hídrica que o país tem hoje. “Ou seja, mais de um Brasil de energia é possível gerar através de fontes eólicas”, resume o analista da Fundamenta. Por enquanto, são PHCs as fontes alternativas que mais foram desenvolvidas pelas empresas. Entre as razões, estão a estrutura semelhante às grandes hidrelétricas e os incentivos dados pelo governo. Um deles é o desconto para na tarifa cobrada de consumidores que necessitem de um potencial entre 0,5 e 3MW e comprem das companhias no mercado livre. “O comércio de energia no mercado livre tem sido uma forma de garantir a rentabilidade dos empreendimentos por fonte renovável”, considera Trein. Somente através de recursos garantidos pelo Proinfa serão construídas 63 PCHs, que vão agregar 1.191,24 MW de potência. Até este agora, 48 já entraram em operação com recursos programados pelo programa. Até o final do ano, a previsão é de mais 14. De acordo com levantamento da Aneel (que considera outras obras não financiadas pelo Proinfa), estão sendo construídas mais de 60 unidades, com potência de 866,39MW. Quase 149 estão programadas, mas ainda sem outorga. A geração de biomassa também é uma das mais vistas entre os projetos das companhias de geração. No entanto, também não deixa de ter um custo ambiental grande, já que são necessários equipamentos adequados ao manejo das matérias-primas utilizadas. O Proinfa prevê uma produção de 685,24MW de potência através de 27 usinas de biomassa. Até agora já começaram a funcionar 20 delas. Atualmente, são 369 usinas desse tipo no país. Isso representa quase 6% da matriz energética brasileira, através da geração de 6.989.622,000 MW. De acordo com dados da ÚNICA (União da Indústria de Cana-de-açúcar), apenas em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul foram identificados 210 empreendimentos com capacidade instalada potencial de 14.800 MW até 2015 e potencial de exportação de 10.200 MW para o sistema elétrico. Contudo, muitos projetos vêm enfrentando dificuldades para participar dos leilões. Uma das razões é que as novas usinas que estão em construção neste momento (greenfields) já foram concebidas para operar com caldeiras de alta eficiência e apresentam, portanto, menor custo operacional. No entanto, mais de 60% da biomassa encontra-se em regiões tradicionais de cana, onde predominam usinas muito antigas, que precisam trocar caldeiras e fazer grandes reformas estruturais. Ou seja, que geram um maior custo da eletricidade produzida, e perdem espaço para as novas usinas, com custo menor. Além disso, após dois anos de preços baixos de açúcar e etanol, a grande maioria dos produtores não enxergou vantagens econômicas nesta produção, de acordo com a ÚNICA. O que se vê com mais frequência é a associação de grandes empresas de geração, por iniciativas delas, com pequenos produtores rurais. Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski Fonte: Portal Acionista – www.acionista.com.br
|