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William Cox é Diretor da Management & Excellence (M&E), empresa de pesquisa, auditoria e consultoria em sustentabilidade presente em Madrid e São Paulo, com doutorado na London School of Economics. 27 de abril de 2010 Empresas líderes no Brasil, como Cemig, Banco Bradesco e CPFL, em breve enfrentarão uma difícil situação, já que, quando o assunto é compliance em sustentabilidade, tais empresas têm um histórico respeitável, seja através da publicação de relatórios GRI, como membros do Dow Jones Sustainability Index (DJSI) ou do Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa (ISE), cobrindo muitos valores relacionados à sustentabilidade. Sendo assim, qual o próximo passo para estas empresas? A era do compliance pelo compliance já passou. Embora o cumprimento de regras continue a ser parte de uma gestão empresarial sustentável, o mercado e os stakeholders querem ver resultados tangíveis, e não apenas desempenho. Os muitos questionários, e até mesmo os padrões de reporting, como o Global Reporting Initiative (GRI), devem fazer sentido no dia-a-dia dos gestores das empresas. Segundo Edoardo Gai, diretor do DJSI na SAM, com sede em Zurich, as análises passarão pelo desempenho das empresas em temas como gestão de inovação e processos, para adaptação a um mundo em constante transição. Atualmente, aproximadamente 90% dos membros do ISE fazem relatórios de sustentabilidade de acordo com diversos indicadores de organizações como o GRI. A questão é: se todas as empresas apresentam as mesmas práticas, como a sustentabilidade pode ajudá-las s se diferenciar de seus concorrentes? A recente crise econômica desempenhou um importante papel na consolidação da sustentabilidade no meio empresarial. Hoje sustentabilidade pode ser entendida como um conjunto de ferramentas que auxilia na redução de riscos, na manutenção de clientes e captação de novos, além de elevar o preço das ações ou impactar na produtividade. Atentos, os investidores estão descobrindo na sustentabilidade um caminho para risco de hedge, como ferramenta para selecionar bons investimentos. Um exemplo disto é a solicitação do IFC a seus clientes, para que implementem programas ambientais e sociais para reduzirem seu risco geral. A crise demonstrou que as análises tradicionais, compliance com Sarbanes-Oxley e ratings de crédito não foram suficientes para impedir a quebra de algumas das maiores empresas do mundo. Esta tendência é mundial: Robeco Bank, que faz parte do SAM, estima que investimentos com critérios de sustentabilidade, apenas em fundos mútuos, irão crescer para US$ 25 trilhões até 2015. Outra pesquisa demonstra que em 2008, US$ 300 bilhões já migraram para investimentos sustentáveis somente em mercados emergentes e, na Ásia, estima-se um crescimento de aproximadamente US$ 1 trilhão nos próximos três anos neste setor, o que representa um crescimento de 20.000% em relação aos níveis atuais. A maior parte deste montante deverá ser destinada para ações de empresas, seguida por debêntures, colocando sob o holofote o departamento de relações com investidores. Outra parte deve ser investida em projetos sustentáveis de infra-estrutura. É fato que investimentos em sustentabilidade trazem retorno, tangível e intangível, para as empresas. Para citar apenas um exemplo, os programas de ética – que outrora eram vistos como gastos adicionais ou implantados por questões de imagem ou de compliance – podem reduzir as despesas operacionais gerais da empresa entre 5% a 15%, se forem completamente implementados. Um caso real é o Deutsche Bank, de Frankfurt, que foi um dos primeiros bancos a publicar um relatório separado e completo de risco para reconquistar a confiança do mercado, depois de admitir ter investido bilhões em títulos duvidosos lastreados em ativos (Asset Backed Securities – ABS) americanos. Se acompanharmos seu desempenho, nos últimos 12 meses, o preço da ação do banco mais que triplicou, e o banco está ganhando clientes e market share novamente. Em breve, projetos importantes, mas desconectados da estratégia da empresa sem serem monitorados, tais como programas ambientais para economia de energia, conservação de florestas ou até mesmo patrocínios sociais serão questionados, pois as verdadeiras histórias de sucesso deverão mostrar como estas despesas (que na realidade são investimentos) impactam o resultado e o negócio das empresas. O “triple bottom line” não será uma opção, mas uma corrente única. As empresas preocupadas com uma gestão sustentável precisarão de novas idéias, não apenas para melhorar seu desempenho em índices como o DJSI e o ISE, mas porque apenas as diferenças irão impressionar stakeholders e shareholders – e, como um efeito indireto, tornar perceptíveis os resultados econômicos de investimentos estratégicos em sustentabilidade.
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